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A MENTE É COMO A LUA: SÓ REFLETE A LUZ DO SOL

A MENTE É COMO A LUA: SÓ REFLETE A LUZ DO SOL


Participante: Essa noite foi um caso, tive um pesadelo.


Veet: Isso. Uma noite péssima? Pesadelo? Que ótimo! Adoro os pesadelos.

Porque eles passam. (Risadas)

E aí a gente diz: obrigado porque passou.


Participante: E aí eu parei e fiquei meditando e repetindo: é só um filme, um

filme... até a imagem sumir. Porque eu sabia que não era real. Mas a mente é

muito forte.


Veet: Parou, parou, parou! Não é, não! Eu preciso dizer uma coisa muito

importante agora, sabe por quê? A mente não tem força nenhuma. A mente

é a lua, ela só reflete a luz do sol. A sua atenção foca e faz um registro dessa

imagem na memória. Essa imagem recebe a atenção e, em vez de qualquer

prática, o convite aqui em Satsang é: reconheça que essa imagem está aí e

ela está sendo reconhecida na Consciência que você é. Então você não vai

mais brigar com a imagem e nem querer que ela suma. Ela vai ser meu

apontador. Os demônios de verdade começam a ser anjos de Deus. Eles

mesmos são servos de Deus!

Eles vêm para me lembrar que até eles estão dentro da Consciência que Eu

Sou!

Mil por cento inclusivo. E aí eu reconheço que tudo é Deus, e esse papo de

anjo e demônio é a mente dual.

Não sei se vocês sabem a origem da palavra diabo. Diabolôs do grego: aquele

que divide.

O diabo é aquele que escolhe entre o bem e o mau.

Tem uma fala do Sozan, que é um cara do Zen bem bacana.

Ele fala assim: haja uma só escolha, uma só distinção (quero isso, não quero

aquilo, acho isso bom ou isso ruim, fácil, difícil), uma só escolha, e céu e terra

infinitamente separados. Nenhuma escolha e céu e terra infinitamente

juntos.

E isso não é para a sua mente, a sua mente é dual e ela vai estar fazendo

escolhas.

“Quero comer um peixe, não quero comer carne”.

Natural.

Não há como não fazer escolhas nesta dimensão.

Mas há como que ir para um lugar aonde não há dualidade.

O grande equívoco dos caminhos espirituais é que eu acho que a mente tem

que ser una. A mente, ela em si, é dualidade, é a natureza dela. Como é da

natureza de todos os seres dentro do oceano estarem molhados, é da

natureza da mente a dualidade. Então, se eu fico tentando forçar a mente

para ser uma, dá até crise de pânico, sério mesmo.


Participante: Quem já tentou aqui? (Risadas...)


Veet: E uma culpa porque eu não consigo nunca. Por causa disso eu acabo

atacando. São os “jogos de ataque do UCEM” (Um Curso Em Milagres). É para

isso que ele aponta.

Qual é a forma que vem a reação? Saindo desse lugar? Não; saindo não,

acolhendo. Saindo é só uma concessão. Eu primeiro crio uma dualidade pela

via da negação: eu sou a pura Consciência, eu não sou essa dualidade - para

depois ver que eu também sou essa mente acontecendo. Mas tem que estar

muito enraizado no reconhecimento que se é o Observador. E é isso que nós

vamos estar aprofundando amanhã e depois e depois. Porque isso tem que

estar tão enraizado - que eu sou Observador – para que, quando a mente

dual surgir querendo ela ser una, eu reconheça que ela vai continuar sendo

dual; alegrias e tristezas dentro do Um que Eu sou.


Participante: A historinha, não é? Era uma montanha, deixou de ser uma

montanha e voltou a ser uma montanha (risadas).

Participante: Há 15 anos atrás, eu me lembro que eu tive um despertar

energético muito intenso e depois eu tive uma depressão tão intensa quanto

o despertar.


Veet: É natural, é mais normal do que você imagina. Sério mesmo.


Participante: E eu tenho afinidade muito grande com Adyashanti (Mestre

Zen) e foi uma descoberta recente.

E ele disse que uma das coisas piores que existe é o ego iluminado

(risadas...).

Uma das coisas que eu lembro que eu dizia: “agora eu sou meu próprio Guru.

Não preciso de nenhum caminho, eu abandonei todos os caminhos”. E eu vi

que eu fiz muita besteira nesse tempo. E também tinha muita coisa boa

acontecendo, e depois eu vi que eram barbaridades. E um dia eu estava

muito bem e acordei com síndrome do pânico, e daí foi ladeira abaixo. Isso

que eu queria lhe perguntar, da sua experiência. Agora eu estou voltando a

ter um processo muito intenso. Como a gente sabe que estamos nessa

energia do ego iluminado ou quando de fato é real?


Veet: Se você se identifica com esse que está tendo essa energia intensa, é a

mente. Se você reconhece que esse que está tendo uma energia intensa é

um objeto reconhecido dentro do Todo Que Eu Sou, isso é o Eu real. E para

esse que está tendo energias intensas e que tem essas oscilações, é legal

rezar, meu caro. Tem coisas que são inevitáveis de serem vividas, tem coisas

que rezando passa. Nesse momento, no final do Satsang, pode-se falar assim,

se não fica mal compreendido e você vai sair rezando para fazer acontecer

coisas do seu querer. O que vira um processo do tipo O Segredo, ou então

macumba na esquina e entrega para o seu Orixá. É a mesma coisa: são

magias para o ego.

O querer coisas está moldado no último dos invólucros, anandamayakosha:

“eu quero as coisas boas e não as ruins”. Perceba esse programão que é o

último aprisionamento.

O que fazer? Dizer um grande SIM.

E, quando está muito esquisito para o egozinho, é para isso que as terapias

existem. Você pode ajustar o carro (o corpo), pode sim uma acupuntura,

pode até uma fluoxetina. Tem gente que precisa sim, está ok. As mentes são

muito loucas, está ok dar uma ajustada.

Só reconheça que não é você! Só não faz desse que toma a fluoxetina ou que

faz a acupuntura, que abre os chacras, a sua identidade.

Porque tem um “eu” ainda, e se tem o eu, o ponto está errado. Satsang é o

fim do eu.

E isso tudo é o mesmo, uno, não-dois, a Consciência.

Que eu?!...

No reconhecer, no inquirir, não encontro o eu!

Era apenas uma ideia, um conceito.

E como é muito intenso o vício de identificação com o eu, o conceito vai

voltar. Estamos juntos para ir conversando sobre esses “eus” que voltam.

Portanto, quando vocês perguntam baseados na identidade, percebo que sou

eu mesmo perguntando, e que está acontecendo o equívoco aqui também. E

quando eu respondo, sou eu mesmo me lembrando de novo e de novo em

uma alegria imensa, fazendo uma reverência em agradecimento de estar

dissolvido de novo em Deus.


Satsang com Veetshish Om e amigxs em Floripa 2015


Transcrição: Kavish.

Veet e Allex correção e adaptação.



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