• Veetshish Om e amigos

ANTES DE MAIS NADA: É!

ANTES DE MAIS NADA: É!


Participante: Alguns sonhos são avisos que a gente tem?


Veetshish: Tem alguns momentos que os sonhos vêm como dicas, como sopros. O

único problema disso é que eu me encanto com os sonhos e os faço meus

ídolos. Lembra uma historinha da bíblia sobre o bezerro de ouro? Eu começo

a idolatrar o bezerro de ouro. O sonho é um dos bezerros de ouro, as

sensações energéticas e místicas das aberturas de chacra são um bezerro de

ouro - na Índia são chamados de siddhis. Que acontecem poderes, sim,

podem acontecer e é mesmo comum que ocorram. Nessa abertura, quando

eu começo a reconhecer que eu sou o Todo, é comum que venham

premonições e capacidades do tipo: “eu sei o que o outro está pensando”.

Os sonhos podem vir como avisos, premonições podem acontecer. Mas isso

também está sendo observado, isso não é o meu Guia. E no afazer do dia a

dia, em alguns momentos podem ser muito importantes, mas, no

aprofundamento do Reconhecimento, eles vão perdendo a importância.

Existem qualidades. Isso se manifesta em cada indivíduo de um jeito; são

qualidades. Há uns que dentro do sonho reconhecem que são a própria

Consciência e que o sonho também é um mundo sendo sonhado.

Alguém tem essa qualidade aqui? Estar desperto no sonho, é como que se

diz. Cada um é confeccionado de um jeito, e ainda assim todos podem

perceber que são a própria Consciência agora.

Algumas pessoas no sonho também têm essa facilidade, eu sei que estou

sonhando, eu sei que isso é um sonho e eu sei que eu sou a Consciência. Só

que Isso também está aqui agora! Tem que reconhecer estando desperto, de

cara, careta. Reconhecer que você é a Pura Consciência.

Participante: Então esse eu sou é o Todo? Só que ele não está em lugar

nenhum, nem no meu corpo?


Veet: Você reconhece isso?


Participante: Eu reconheço.


Veet: É isso ai!

Esse é o Eu real, que perpassa tudo. Por isso que agora podemos dizer que

somos Um. Porque então isso aí tem que ser eu também. Claro que não é eu

que está sentado aqui, é claro que é essa Consciência que eu sou. Qualquer

coisa que os olhos toquem, inclusive essas pessoas nessa sala; sou eu

também. Por isso que eu só falo para mim mesma.


Participante: Esse processo eu já percebo bem, e eu até falo para o meu filho:

tenta analisar o olhar para dentro “Quem é essa pessoa que está falando? De

onde está falando? Do meu pé, da minha cabeça? ” É como se fosse uma

matéria. Digamos que dentro de uma caixa existe um objeto qualquer. Então,

onde está isso? Só pode estar fora! Com os pensamentos também é assim

que se passa. Só que eu ainda não compreendi completamente. Às vezes eu

levo um susto e paro e pergunto: que é que está aqui dentro?


Veet: A primeira aproximação - ela é um pouco intelectual mesmo. Há uma

percepção do tipo “é isso mesmo: tudo é”. Isso é inegável: antes de mais

nada é! O pensamento está aqui: é. Tudo, tudo é uma seta dizendo que antes

de mais nada, É. Depois qualidades como flor, gente, pensamentos bons,

ruins, o agradável, o desagradável. Mas, primeiro, É. Uma grande seta para o

É. Quando isso é reconhecido intelectualmente o próximo passo agora é

descer para o coração. É!... Olha!...


Participante: É esse processo que eu ainda não entendo.

Veet: Então vamos juntos agora. A distância entre esse pequeno você que

você acha que é e seu Eu real é a distância da cabeça para o coração. É isso

que o Ramana falou: é a distância da cabeça para o coração. É mais perto do

que a ponta do seu nariz, mais íntimo do que a sua respiração.

Participante: Mas está muito longe ainda.


Veet: Longe de quem?

Esse que acha que está longe é só um pensamento dentro “Disso”.

Esse que acha que está longe é um objeto dentro “Disso”.

Olha a vida acontecendo agora e esse pensamentos passando e achando que

estão longe. E justo agora, a vida É.

Aí a mente vai insistir, é o vicio e o apego. Vamos conversar sobre vício e

apego, porque o negócio é arraigado muito mais do que a gente pensa.

Já É, aqui e agora.

Acolha a dúvida, acolha esse achar que é difícil. Tem um cantinho para ele.

Ele também cabe dentro do Todo. Só que ele já está acontecendo dentro do

Todo, e esse que acha que está longe também está acontecendo dentro do

Todo na Vida Aqui e Agora. É sempre inclusivo, e cem por cento inclusivo.


Participante: Até falar que é inclusivo está nisso?


Veet: Também. (risadas)


Participante: Eu não sei como é que isso aconteceu. Quando, por exemplo,

eu estava com o Ale, eu agradecia por estar ali com ele, entende? O processo

foi começando assim: onde eu vou, eu agradeço. E eu sei que esse aqui vai

ser o momento e depois vai passar, então eu tenho que aproveitar tudo que

está aqui e tem que ser eu aqui; me entregar aqui. E eu tenho feito isso em

tudo e eu me sinto muito feliz. Então, as coisas foram acontecendo e não sei

como isso aconteceu.


Veet: Que bacana! É uma afinidade disso aí; da Renata. Porque a afinidade

pode ser com o triste pra caramba.

Triste e mau humorado. Você é assim, eu vejo, é bonito demais.

É igual a essa flor aqui, e a essas raízes.

Mas a gente está em uma sociedade em que a alegria é um protótipo. Tomase

fluoxetina para se estar todos os dias feliz. A pessoas estão viciadas em

felicidade, o que eu quero dizer é quando está ruim também está bom. Se eu

estiver sério, chorando e deprimido, também está ótimo!


Participante: Estava meditando esses dias, e o mestre falando que a gente

não pode ser materialista. Aí eu desci da sala e roubaram meu carro.

Veet: Isso aí.


Participante: E essa resistência que a gente tem a essa tristeza? Eu também

aceito?


Veet: Isso. É o pacote inteiro: eu estou triste, eu não quero estar triste e isso

tudo eu aceito dentro de mim.

E não é “eu aceito”. Quem é que aceita? Quem é que agradece? Essa é uma

boa investigação.

Pois posso perceber que já está aceito porque já está acontecendo. Tem um

cantinho na vida para se estar triste e estar esquisito e ter uma resistência e

querer estar bem e querer fazer um movimento para estar bem. E isso tudo

está acontecendo no aqui e agora!

Já está aceito - não sou eu que aceito - é a vida que aceita. E é independente,

se dependesse do querer, todo mundo seria alegrinho, feliz. O carro não seria

roubado jamais, ninguém precisaria roubar e ninguém ficaria triste. E se fosse

assim, as pessoas continuariam sendo o “euzinho” arrogantemente.

A tristeza vem para que também ela seja abençoada com o amor da

Presença. A raiva, o desespero, vêm para que eles também sejam

abençoados com a Presença. É isso que se chama de redenção. Onde existe a

mais profunda das sombras, ali também está a Presença.


Participante: Porque não pode ter outra força fora essa e se tiver tem duas

forças conflitantes.


Veet: A gente está falando do Um, não é? Não tem nada fora do Um!

O Um é Um mesmo. É tudo, tudo. Agora você reconhece isso? Ou isso é uma

teoria?

Participante: Às vezes é uma teoria e às vezes eu reconheço. E quando é uma

teoria eu acho que ainda está bom porque daí a gente se volta para Isso.

Porque também a teoria faz parte.


Veet: É para isso que serve o Jnana e a mente e a teoria; para me lembrar e

me dissolver sempre e de novo Nisso.

Quantas vezes for necessário. Kabir, que foi um grande sábio da Índia, falou:

“eu tive um vislumbre por um segundo e passei o resto da minha vida

honrando isso”. Quer dizer, ele não se diluiu nisso. Algumas pessoas se

diluem nisso, outras não. Não importa, tem de tudo, o mundo é múltiplo.

Mas tenha um só vislumbre e honre isso para o resto da sua vida.

“ Amai a Deus sobre todas as coisas. “

O barbudão de dois mil anos atrás era bacana (risada). Mesmo.

Amai a Deus e de verdade. Ele trouxe coisas lindas e de uma forma clara.

Tem gente que sabe, e pode ser um pipoqueiro da esquina! Tem muita gente

iluminada por aí. Andou um Buda na Terra há dois mil e seiscentos anos

atrás, um Cristo há dois mil anos e agora tem muitos. É a nossa vez, é a gente

que está andando sobre a Terra, e como tem sete bilhões de pessoas, tem

muitos Budas por aí; é a gente. Se a gente está em Satsang, é porque é a

gente.

Participante: Que cuidados que eu tenho que ter com aquele que quer sair

da roda?

Veet: Aquele que quer sair da roda é um querer acontecendo aí dentro.

Esse querer tem uma dupla face; a primeira face é face de colocar em você

essa sede de querer mesmo sair da roda (samsara), de não ficar mais nesse

deixar ir: “está bom, ah, vou levando”. Este querer começa a tirar você da

ignorância, a querer sair da roda. Agora, outra face é que o mesmo querer é

uma barreira. Entramos nos paradoxos: há que se querer iluminar, há que se

querer sair da roda, mas há que se reconhecer que o querer é a última

barreira. E aí o que eu faço com isso? Investigo. Quem é que quer? E vejo que

esse querer é algo acontecendo dentro do Todo que é a Vida nesse momento

agora.

Participante: É que o barquinho atravessou e a gente se apegou no

barquinho. E aí fica apaixonado pelo barquinho. E aí temos que se desapegar

dele e não conseguimos. Mas aí, até disso tem que fazer parte. Tudo está

dentro. De repente, a gente se perde nessa dualidade. Até fazer a pergunta

perde todo o sentido.


Veet: Agora você está falando igual um Buda.


Participante: Mais eu sou o Buda! Acho que nós temos vergonha de admitir

que nós somos o Buda.

Veet: Então, obrigada! Sim, chega, está na hora de admitir que se é um Buda,

sim! Tenha certeza de que você é o Buda, assuma isso. Você assume que é

uma mente perdida, que está longe... e assumir que está perto você não

assume? Por que não?


Participante: É uma armadilha da mente fazer isso?


Veet: É para te chamar para ir mais fundo. Para não fica só assim: “oh, sou o

Buda...”.

Ahhh... a cada respiração é o Buda. Pulsando, é o Buda... ahhhh.


Satsang com Veetshish Om e amigxs em Floripa




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