• Veetshish Om e amigos

Existe ou não livre arbítrio?

Atualizado: 16 de Jul de 2018

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Existe ou não livre arbítrio?


Veetshish Om:


Esta é uma questão comum que surge durante a busca sincera de realização e, para que tenha uma função iluminadora no verdadeiro despertar, temos que começar da raiz do problema, que é a sensação desse 'eu separado' como sendo a minha identidade, uma a entidade que existe por si mesma, independente. Junto com a raiz da sensação de separação vem o medo. Ao se perceber como uma entidade separada, um certo assustamento surge, um assustamento do que vai vir, do que a vida que acontece “daqui para fora” (apontando dos olhos para fora) vai trazer, um mundo exterior que pode ser uma ameaça, com uma série de circunstâncias desagradáveis, com dor e finitude para esta entidade que é o “eu separado”.

Imediatamente surge então o impulso de se proteger. É assim que emerge a ideia, o conceito de escolhas: qual seria a melhor escolha de atitude para proteger contra a dor.

Tudo está regido pelo mundo dual do acertar e errar, sofrer menos e ter momentos melhores.

Esse é o painel do mundo das manifestações do ponto de vista do ego.

Porém, ao reconhecer-se Pura Presença-Consciência vem também o reconhecimento de que o mundo da manifestação também é, ele mesmo, a Pura Presença se desdobrando em formas e elementos que, dançando, fazem surgir individualidades, formando corpos físicos individuais.

Na forma humana, o corpo físico emerge junto um corpo de pensamentos e constitui a sensação de ser alguém separado.

Em cada reino, esta separação aparente tem uma forma diferente de reverberar: nas plantas, nos animais há uma estrutura própria. Na entidade humana vem essa raiz de existência como um 'eu separado' que tem que fazer coisas e essas coisas têm que ser feitas com bastante lucidez e boa escolha para que não haja sofrimento.

Não é assim?


Não é desse lugar que a gente parte?

Essa é a raiz da sensação de escolha. Está presente no âmago mesmo da entidade individual na forma humana. Deste ponto de vista, inicialmente apresenta-se uma escolha que é a mais essencial de todas: sempre que possível, voltar os 'olhos' para a investigação da Real Natureza de quem você é e assim chegar à revelação mais essencial e profunda de que tudo o que surge, tudo mesmo, anuncia e É o próprio Ser Infinito e sempre Presente!

É fundamental reconhecer que o momento é inteiro. Quando visto como pura luz, é a luz da manifestação inteira, sem separação, sem partes.

Assim, as dúvidas pessoais sobre a melhor atitude são formadas por uma angústia imensa de ter resolvê-las da forma mais sábia e harmônica. Isso que é chamado por livre arbítrio: qual será a minha melhor escolha?

No Saber não-dual, a própria dúvida ganha a perspectiva da substancia luminosa do Ser, reconhecendo que as próprias atitudes que vão vir aqui vão estar cheias da compaixão do Ser, sendo e brilhando nesse momento, e nessa compaixão naturalmente uma amorosidade começa a surgir.

Ainda que estas palavras despertem uma afetividade e uma categoria de ideias de atitudes bondosas como meta, é muito importante saber que apenas o despertar para além do “eu separado” pode realmente fazer acontecer a amorosa compaixão!

A questão do livre arbítrio aparece com uma face que transcende a ele mesmo. Quando a investigação se aprofunda e há uma escolha, vamos dizer assim, de voltar os olhos e o coração a cada momento para essa luminosidade, a vaziez que tudo é, naturalmente o livre arbítrio deixa de ser livre arbítrio e vira espontaneidade revelada do que É.


Transcrição K-om Satsang zoom com Veetshish om e amigos online março 2018


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