• Veetshish Om e amigos

O amor está em tudo.

Participante:

Eu lembro que agora você falando tinha um despertar energético muito

intenso, mas tinha muito eu também.

A diferença que eu sinto agora é uma alegria diferente que é como se

estivesse saindo uma carga e de não precisar carregar esse eu junto.


Veetshish:

Para quem está acontecendo essa alegria?

Vamos um pouco devagar, porque isso é muito bonito.

É um nível de profundidade muito grande que estamos tocando.

Essa alegria também está sendo observada acontecendo.

Agora eu reconheço o Absoluto onde essa alegria acontece.

Agora eu sumo no Absoluto onde essa alegria pode acontecer e acontece.

O Absoluto, ele vai desabrochando de dentro para fora com suavidade.

Por isso que é bonito esse processo suave; quando é forte, podem

acontecer umas loucuras, mesmo.

Eckhart Tolle ficou sentado em um banco de praça doidão por 2

anos, não comia, não ia trabalhar, não tomava banho.

Que bonito essa suavidade que há dentro da gente, esse despertar suave.

Que gentil, que belo!


Participante:

A imagem que vem para mim é de um beija-flor com uma música

impressionante.

E é como se eu sentisse, às vezes, um beija-flor dentro do meu coração.


Veet:

Sim, são esses sopros que geram essas imagens poéticas, e você as vê

na Índia, nas imagens de Rama e de Krishna e de Shiva.

São essas imagens muito poéticas que surgem, celebrando quem eu sou.

Só cuidado com o bezerro de ouro, cuidado para não idolatrar imagens:

a gente faz muito isso, os símbolos dos sonhos, as imagens que vêm.

Sim, é bonito, mas não dê tanta importância, elas são apenas um apontar

de um dedo. E também está sendo visto.


Participante:

A minha dúvida quanto o que ele está falando é se não é a própria mente que está proporcionando essa emoção. Porque eu penso que, quando alguém desperta,

quando alguém encontra essa Pura Presença Eu Sou, não tem muito essa

variação de emoção. Como se fosse assim: você não celebra muito na alegria

e também não chora muito na tristeza.


Veetshish:

Não é errado o que você está dizendo, mas também não é verdade.

Não devemos idealizar nem colocar em um formato o que é infinito.

Essa imagem é idealizada, vendida.

Tem um livro do Adyashanti muito bom em que ele fala isso: que esse

ascetismo é a imagem do Buda sereno.

E contrapõe a história de Cristo: Cristo viveu um dramalhão desde que ele

nasceu até a morte.

Ele entra chateado dentro do tempo, chutando os camelôs, e ele vai para o

alto da montanha em profunda angústia: “Pai, afasta de mim esse cálice”.

E mesmo na cruz, ele fala: “Por que me abandonaste, Pai? “

Quer dizer, a imagem de Cristo não é serenamente linda.

Ele, o puro Deus, está vivendo todos os dramas humanos sem esses

estoicismos vendidos pelo nirvana Budista: eu vivo e não sinto as coisas.

Se eu não sinto as coisas com profundidade, como é que se pode render a

sombra, que é toda essa loucura?

Vem a questão do porquê que se vivem emoções.

É para que a Consciência seja revelada lá também. Em todos os

lugares, em tudo e como tudo!

É o amor, penetrando em todos os níveis.


Participante:

Parece que essa imagem do Buda e do Cristo, que você colocou,

é uma grande concessão cósmica para mostrar isso, não é?

Participante: Mas o próprio Buda, para chegar nisso, ele ralou muito. E só é

mostrado ele meditando. E aí vende.


Veetshish:

Quando eu conversei com o Mooji, eu falei exatamente isso: de como

se tem uma imagem fixa do que seria o Cristo, o Santo, o iluminado.

Exatamente essa mesma imagem enlevada. Eu falo que me venderam gato

por lebre porque me venderam. E de repente reconheço que não é assim: o

que quer que surja está ok. Nessa loucura das sensações e emoções desse

corpo aqui, quem é, é, ainda assim, o Buda, é a Vida. E quando eu assumo

isso, algo se transforma mesmo no meio da raiva, ou da grande alegria, da

grande tristeza.

É uma outra qualidade que penetra. Não é que não haja a grande alegria ou

a grande tristeza, se for dado a esse corpo-mente ter grandes alegrias e

grandes tristezas - tem outros corpos-mentes que são mais lineares e serenos.

Se é fixado um modelo para o indivíduo manifesto

(que é uma confecção de água, terra, fogo, ar, éter, um objeto na Consciência),

que o certo é aquele mais equilibrado e sereno, quem não é sereno está ferrado,

não é a Vida, não é o Buda (risadas). Claro que é, sim! Todos são.


Participante:

Eu vejo lá em casa quando eu faço meditação e aí eu fico com

raiva ou algo assim; e os outros vêm e me falam: “poxa, não estava

meditando? ” Temos que estar sempre zen, dizer amém para tudo e “nada

me atinge”.


Veetshish:

Esse é o arquétipo vendido. Venderam, para você, gato por lebre e eu

estou aqui anunciando uma outra coisa. Uma boa nova: o que quer que seja

que esteja acontecendo, é Isso. É um idealismo, perceba que tudo cai nisso.

Portanto, comece a acolher a sua dor. Não estou dizendo que é para ser fiel

ao seu sofrimento. Mas que isso que está acontecendo em forma de

emoções também pode. Dê um grande SIM.


Participante:

Mas as quatro verdades do Buda estão certas, então?

Sofrimento, nascer, morte e velhice?


Veet:

Acho que a coisa mais bonita de Buda e um dos grandes ensinamentos

dele, eu vou dizer na forma cristã, é: não matarás! Sabe o que Buda queria

dizer com isso de verdade?

Ele queria dizer: não traga a ideia de morte, não

olhe para você como o corpo e fale: “eu morro, eu sofro. ” Não! Há um

sofrimento acontecendo e eu o observo.

Então, não traga a ideia de morte. Se você puder ver assim a si mesmo e aos

outros, mais gente vai morrer...

Não, não há a morte! Aí estaremos sendo Budas.

E é isso que Buda queria: Buda queria Budas! Cristo não queria cristãos,

ele queria Cristos.


Então vamos olhar com cuidado o repetir de teorias, esses dizeres. Vamos

olhar com um pouco de cuidado e vamos fazer desses ensinamentos, dessas

palavras sagradas, palavras vivas.

E vamos perceber o quanto compramos um tanto de coisas e que ressoam

aqui dentro determinadas ideias. E olha como eu saio correndo atrás de

ideias!

Eu vou terminar do jeito que eu comecei: vamos mudar de Guru?

Vamos deixar de sair correndo atrás de ideias e vamos descansar no exatamente

aqui e agora. Esse corpo do jeito que está aí, e vamos celebrar.

E esse celebrar, às vezes, é deixar a raiva explodir e deixar a loucura explodir,

deixar o êxtase explodir mesmo porque a gente não consegue não deixar.

Não estou dizendo para manifestá-los, nem para reprimi-los.


Então eu acolho a celebração da vida na sua inteireza. Um vulcão explodindo,

uma flor desabrochando, a gota de orvalho brilhando. E a mente vai

comentar: “oh, que lindo” ou “oh, que terrível”.

São comentários da mente, enquanto ainda houver: “oh, eu ainda não

consegui aquele comportamento”; são comentários da mente dentro do

agora. E a vida quer exatamente assim, Deus quer exatamente assim.


Participante:

É ver a beleza no bem e no mal, não é?


Veet:

Sim. E você abençoa o bem e o mal. E aí, você está além do bem e do

mal. Ainda que o bem e o mal continuem no seu ciclo, eles são a casquinha

dentro de um grande Todo, fininha e altamente perecível, porque aquilo que

era bem ou mal era apenas um conceito. O que eu fiz com a melhor das

intenções pode se tornar uma lambança, e aquilo que eu fiz para sacanear o

outro pode se tornar um presente e o outro agradeceu... Sério, é muito

relativo isso. Então, o que sei eu?

Na humildade, eu calo a boca e vejo a Vida se desenrolando e vivendo a Si

Mesma. E vejo que só a Vida é eu mesma.


Satsang com Veetshish Om e amigos em Floripa 2015


Transcrição: Kavish, Veetshish e Allex correção e adaptação.



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