• Veetshish Om e amigos

O QUE É VERDADEIRAMENTE ESPIRITUAL

O QUE É VERDADEIRAMENTE ESPIRITUAL


O Mooji fala que existe uma só Terra, mas 7 bilhões de mundos. A mesma

sala que eu estou vendo não é a mesma que você está vendo; pelo ângulo

diferente, pelas significâncias, essa luz, esse símbolo, a sensação de campo

que também é sensória, é tátil. Para os que gostam de trabalhar com energia,

com chacras, verifique que também é sensório: isso faz parte do rol do

sensório; é materialismo, energia-matéria (Einstein, básico). Aqui a gente

veio relembrar o que é verdadeiramente espiritual. Espiritual é algo que não

dá para ser acessado nem com os sentidos nem com as emoções, nem com a

mente, pensamentos, intelecto.


O que é o espiritual de verdade?

As palavras estão sendo banalizadas e a palavra espiritual tem sido

relacionada com sensações energéticas. Ficamos atrás de sensações

energéticas. Provavelmente, todos aqui já tiveram um êxtase de alguma

forma - aquele momento que você expressa com um: “nossa, uau!!!”

Ou que você some, ou que para o mundo.

Porque nós já somos a Consciência Cósmica, estes estados podem acontecer

mesmo antes de vocês fazerem meditação. Talvez na infância, na beira da

praia bateu um vento e aquela criancinha sumiu, ficou una com o todo. Nós

somos Consciência Cósmica, nós já somos o todo. Essa experiência sopra

dentro volta e meia. Vamos ouvir essas palavras aqui, com o coração.

Esse é o convite do Ramana, que foi o melhor tradutor dos últimos tempos:

traduziu em palavras para a mente ocidental contemporânea, traduziu com

transparência essa Presença.

Ele apontava para a questão: Quem Sou Eu?

E o quem sou eu, do Ramana, não é mental. Você dá essa pergunta para o

seu google interno, que é a sua mente, e em 0.0019 segundos dá 3927 respostas.

Na pergunta quem sou eu? o quem é um convite para vocês não se

satisfazerem tão facilmente com essa identidadezinha automática com que

estamos por aí: “ah, só isso mesmo.... eu sou um buscador, eu sou quem está

atrás de conhecimento.”

Esse quem sou eu é um convite para voltar os olhos pra esse Eu real. E o Eu

real aparece ao se desfazer dessas velhas identidades: com o corpo, com os

pensamentos, com a emocionalidade que a gente usa para se definir.

E voltando a descansar Nesse-que-Tudo-Observa, vamos tomar um

pouquinho de cuidado com essas palavras, porque a mente é um observador

paraguaio e ela toma as vezes do observar e diz: “estou observando, e eu

tenho que ficar bem quietinha para ficar observando.”

Não é disso que se trata.

Perceba que o tempo todo você percebe. Perceba que, sem esforço algum, o

tempo todo, você percebe o que está acontecendo.

Se eu te perguntar, você saberia me responder como está o seu pé agora?

Frio ou quente, gostoso. E como está a posição do seu corpo? Você leva a sua

atenção e você sabe. E se você pode chegar para mim e me dizer: “nossa, a

minha mente hoje estava muito agitada.”


Quem é isso que sabe como a mente está?

Quem é isso que reconhece como o corpo está?

Relembrando esse estado natural, o que está acontecendo agora, veja que

um tanto da atenção é investida no que estou falando, outro tanto nalguma

coisa aí dentro de sua cabeça, em humores passando, e um tanto da atenção

descansando nesse reconhecimento da própria atenção. Então, quem sou

eu? A mente não consegue responder. A mente dá um monte de respostas

que são objetos, apontando para fora. A sensação não consegue responder.

Então quem, ou o quê, vai responder? A própria atenção quem sou eu.

É a própria atenção dando-se conta de que ela o tempo todo está aí, que

você já é a Pura Atenção, sem esforço algum.

Nesse reconhecimento há um descansar. Às vezes, o corpo acomoda-se e

solta algumas tensões, a mente silencia na presença da Presença

naturalmente, sem nenhuma técnica.

Não é preciso desenvolver técnicas de silenciar a mente, ela silencia por si só

na presença da Presença.

Como é que está aí? Como é que isso ressoa aí dentro? Qual é a dúvida? Qual

é a pergunta? Que pergunta fervilha para vocês, no caminho espiritual de

vocês?

Sentar juntos para esclarecer e aprofundar o reconhecimento dessa

Presença, desse Eu real, que já é a minha natureza imaterial, a qual eu não

posso ver. Tudo que eu vejo, toco e sinto está fora: tudo que eu vejo daqui

para fora está fora, e tudo que eu vejo daqui para dentro também está fora.

Vamos olhar para dentro!

Olhar os pensamentos? Os pensamentos também estão fora! Eu posso

descrevê-los. Olhar para dentro então é olhar para sensações energéticas?

Elas também estão fora, eu também posso descrevê-las.

Onde é o dentro, esse dentro místico, esotérico? Aqui a gente está na

profundidade da mística, daquilo que a gente chama de espírito. Olhar para

dentro é olhar para lugar nenhum.

Qualquer lugar que você olha está fora, então como é que eu faço para olhar

para dentro?

Olhar para dentro é olhar para lugar nenhum!

Eu lembro uma outra historinha Zen: a mestra Zen estava morrendo, de

repente ela levanta em um suspiro; “Qual é a resposta?” E cai de novo... E os

discípulos em volta, esperando a hora da morte, estranham: “Que resposta?

Mas, do que ela está falando?”

Aí, em uma outra respirada, a mestra Zen levanta e ruge: “Então, qual é a

pergunta?” Cai e morre! (Risadas).

Ver com clareza; primeiro reconhecer que antes de mais nada o Ser é, antes

de ser parede, pedrinhas compondo o símbolo do yin-yang, bambu, florzinha,

orquídea, calça jeans, frio na mão, pensamento passando. E cada uma destas

coisas só existe porque o Ser é. Porque o É está aí, o Puro Ser está aí.

O que quer que seja que os olhos vejam agora, o que quer que seja que os

ouvidos escutem, vamos parar de fragmentar: madeira, parede, cor azul,

roxo, lilás, luz, pessoas, banquinhos, coisa bacana do José da almofada (Zafu)

- vamos parar de fragmentar e ficar somente no É.


Isso é o Advaita: reconhecer o Um por trás do aparente múltiplo.

E é para fazer agora. Porque de verdade só tem agora.

É para ir apurando o teu olhar. Eu adoro brincar com isso. O Olhar é mais

potente que o raio-x do Superman. O olhar de raio-x do Superman atravessa

a parede, mas do lado de lá vê um outro objeto; vê a pia, a cozinha. Aqui a

gente atravessa todos os objetos com olhar. E só vê o Ser. E aí, sim, eu faço

namastê.

É o Ser, o Ser ...


- Satsang com Veetshish Om e amigxs



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