• Veetshish Om e amigos

Satsang é vivo, o Buda é vivo, ele não é uma ideia, não é uma imagem.

O REI SE APRESENTA


"Descendo a atenção para o coração, deixa o coração sentir o Eu Sou.

Olha a Presença, olha!"

Satsang é vivo, o Buda é vivo, ele não é uma ideia, não é uma imagem.

Ele é a própria vida aqui e agora na sua inteireza: uma sensação no corpo,

quer esteja boa ou ruim; uma mente, quer esteja agitada, cheia de conflitos

ou silenciosa.

É a vida sendo isso tudo ao mesmo tempo, e "Eu-observação" observando isso

tudo ao mesmo tempo.

Isso é o uno, isso é Advaita!


Essa é a capacidade mais maravilhosa do humano, reconhecer-se a si mesmo.

Pode dar uma ondinha aí no corpo, ou no cérebro. Pode acontecer uns

reajustes em forma de sensações. É o corpo celebrando a presença da

Presença. O Rei chegou! Ele relembrou-se Presença de Si Mesmo. Todos os

seus súditos celebram a presença do Rei.

Isso é bonito demais!

No tumulto do seu dia a dia, perceba o quanto se é viciado na mente. Daqui a

pouco a gente está correndo atrás da mente novamente, igual cachorrinho

atrás de linguiça de desenho animado.

Quem é teu Guru? É bom sacudir e desafiar. Você está cansado de seguir

esse Guru aqui (mente)? Ele já te levou por vias tortuosas e não te deu o

descanso. Muitas das pessoas que chegam em Satsang estão cansadas, já

buscaram em tudo quanto é canto. Aliviou um tanto de coisas, mas a

angústia existencial não passou. E de repente começo a entender que eu

estava seguindo o Guru errado (mente), eu queria que essa mente-corpo ela

mesma se tornasse o Buda. Nunca!

Você nunca vai ser o Buda. Você já é o Buda, você Pura Presença.

Olha para o lugar certo, olha para dentro, para de se identificar com essa

coisinha finita que é essa personalidade, com uma historinha de vida. Chega!

Ela é bonita, ela é uma flor desabrochando nesse mundo e ela é uma

redenção quando ela se reconhece Pura Presença, quando ela abre mão do

que é o nosso maior apego. Eu gostaria que vocês percebessem o quanto

vocês gastam em energia, tentando sustentar uma imagem desse euzinho.

E lá vai você atrás de um comportamento bonitinho e se punindo por um

comportamento errado - errado para a imagem construída. Perceba se não é

assim que funciona. Eu não estou trazendo uma novidade, eu estou só

chamando a atenção para o óbvio.

Alguma pergunta? Eu quero saber como está batendo aí.


Participante: Você está muito animada, está bom de ouvir. (Risada)

Participante: Porque criança não tem isso, e idoso também. A criança é o que

ela é e ponto. E idoso acaba sendo assim também. Poxa, não gostaram de

mim em um emprego, então eu vou sair. O culpado sou eu e aí? E aí ficamos

nessa situação, não é?


Veet: A criança é a coisa mais linda do mundo porque ela está na pureza da

inocência da Pura Presença. Nela os condicionamentos ainda não estão

estabelecidos. O que a gente está fazendo é reconhecer os

condicionamentos, os padrões, e, assim, transcendê-los. A diferença de um

Buda para uma criança é que a criança está tão inocente que ela vai ser

treinada, vai virar um adulto chato, cheio de neuroses.

Um Buda é quem os transcendeu e, portanto, ele não pode mais ser

enganado.

No caminho Xamânico, diz-se que ou você se torna um ancião ou você se

torna um velho. O velho é aquele que continuou seguindo a mente, e como a

mente nunca se satisfaz, ele vira um resmungão, um chato e “a vida é ruim e

tudo é ruim” e está sempre de cara feia. O ancião é um Buda, ele passou por

isso tudo e transcendeu, reconheceu que tudo isso é passageiro. Esse é o

grande ensinamento de Buda.

E ele traz o ensinamento para nós, jovens, adultos, ou não tão jovens, mas

adultos ainda - de podermos olhar que aqui e agora eu posso me libertar

dessa identificação com esse eu neurótico. Pode ser que o programa vá

continuar rodando. Só que eu não sou isso. Esta é a grande saída. Não sei se

você consegue acompanhar, Renata.


Participante: Porque a gente se transforma, mas a gente deveria olhar

diferente para uma criança. Eu amadureci e agora eu começo a me travar

com tudo.


Veet: Quem sabe se essa neurose profunda não seja na verdade uma grande

oportunidade de te levar ao reconhecimento? Inclusive, levar a sabedoria da

Pura Presença para essa neurose profunda. Veja que há um julgamento e

uma resistência: porque eu não deveria ser assim? “Eu não deveria ser

neurótico”. Perceba que isso é uma outra neurose! Não querer ser neurótico

é uma grande neurose. As pessoas mais violentas que eu conheço são as que

lutam pela paz. Elas são altamente violentas; uma loucura: elas querem

acabar com os industrialistas. Eles querem uma guerra, eles querem eliminar

uma raça. Olha só como são loucos os mecanismos.

O que eu quero dizer é que o grande convite de Cristo é uma grande

abertura. Abertura inclusive para neurose condicionada, maluquinha. Aí o

amor começa a penetrar.


Participante: Quando se percebe que a mente está querendo comandar,

quando você quer se livrar dela, ela não gosta. Ela atinge o corpo. Ela faz

isso?


Veet: Sim. Um dos mecanismos da mente e que o ego-mente usa para

continuar no poder é através de um convencimento, em primeiro lugar, de

que “eu sei o caminho, eu sei mesmo”! Baseada na experiência passada, há a

percepção de “eu já fiz aquilo e não funcionou”. Há tensionamento porque

eu saio da espontaneidade do momento, querendo seguir velhos padrões,

repetindo a atitude que deu certo uma vez. E aí eu começo a tencionar, o

corpo começa a ser escravo da mente, começa a gerar determinadas tensões

para ficar bastante atento para não dizer a palavra errada na hora errada.

Tem de fundo a questão da culpa que a Renata estava trazendo. Então

existem umas contrações que começam a acontecer, só que isso tudo é

observável.

Existe um pacote inteiro que você trouxe, que é: a mente está comandando,

eu percebo a mente comandando e eu tenho que ter muito cuidado com

esse eu que percebe a mente comandando e não quer mente comandando.

Isso é a própria mente.


Participante: Mas é a loucura da mente, quando falo em atacar o corpo. Por

exemplo: uma pessoa que se suicida; a mente é louca a ponto de se

autodestruir.


Veet: ... de destruir o corpo; ela sabe que não é o corpo. A mente é mais sutil

que o corpo. O corpo indo embora, esse campo mental continua aí. O campo

mental não é seu, não. O ego tem meia dúzia de variações. Quem é

terapeuta sabe que o ego não é muito criativo, ele tem meia dúzia de

atitudes: uma raiva, uma culpa, um medo, um orgulho, uma soberba e

acabou. E é igual em todo mundo; quando você começa a escutar os

discursos é tudo amarelo, escuro ou claro, mas tudo amarelo. E quando há

um ataque direto, há um suicídio, há um desespero tão grande de não se

reconhecer maior do que o corpo-mente. É o infinito, tentando caber dentro

desse corpo e não se encaixando dentro desse corpo, de tal forma que

destrói o corpo, achando que vai encontrar alguma outra coisa. Ainda é um

mecanismo mental. Só que ele vai encontrar um outro invólucro.


Participante: Aí fica mais uma armadilha?


Veet: Sim, mais uma. Para fugir de quem? Esse é o questionamento. Por isso,

pare! Pé no freio para isso tudo. Observa que tudo isso está sendo observado

e observa que é todo o mecanismo, inclusive de querer e de corrigir e de

questionar. É ainda um ciclo mental acontecendo. Cuidado, a gente ainda é

muito mental. Inclusive, a gente está aqui pensando qual o melhor jeito de

ser o Buda.

Reconheça o que acontece aqui; isso é assim aqui também.

Aí vem o Zen - porque os livros do zen são assim: “Ah, isso, oh”.

Porque é isso mesmo... um insight! A vida aqui inteira! Ela já é do jeitinho

que é, e está ok.

A mente vai trazer coisas, e a gente conversa um pouquinho sobre o que a

mente traz para ver o mecanismo dela funcionando. E o que a gente estava

falando lá dos ensinamentos sobre o invólucro: o corpo é percebido, a

emoção é percebida, o pensamento é percebido. Mas tem algo mais sutil que

o pensamento não consegue perceber, é um jogo de estar correndo atrás do

prazer, de dar certo, de funcionar, de ser legal, de ser o Buda, de estar

iluminado. Cuidado, cuidado, aqui não passa nada.


Satsang com Veetshish Om e amigos em Floripa 2015


Transcrição Kavish.

Revisão: Alex, Veetshish


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