˜ Rumi

Dentro desse novo amor, morra.

Seu caminho começa no outro lado.

Torne-se o céu.

Leve o machado ao muro da prisão.

Fuja.

Saia andando como alguém de repente nascido para as cores.

Faça agora.

Você está coberto de uma nuvem espessa.

Deslize para fora. Morra,

e silencia. Silêncio é o mais certo sinal

de que você morreu.

A sua vida antiga era uma fuga frenética

do silêncio.

 

A lua cheia emudecida

sai agora.

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Não pense nele como um buscador, no entanto.

Aquilo por que está procurando, ele é aquela justa coisa.

Como pode um amante ser outra coisa senão o Amado?

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Enxergue através dos Olhos Dele o que Ele vê.

Quem então está olhando com os Seus Olhos?

 

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Alma da minha alma da alma de cem universos,

seja água neste rio-agora, para que flores de jasmim

pairem até a borda, e alguém de longe

possa ver as cores-flor e saber

que aqui há água.

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Pense que você está pairando na encosta de um penhasco,

como uma águia. Pense que está andando

como um tigre caminha sozinho pela flores.

Você é mais belo quando procura alimento.

Passe menos tempo com rouxinóis e pavões.

Um é só uma voz, e o outro, só uma cor.

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Seja uma folha de papel com nada escrito.

Seja um lugar no chão onde nada cresce,

onde algo possa ser plantado,

uma semente, possivelmente, do Absoluto.

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Por sessenta anos estive esquecido,

a cada minuto, mas nem por um segundo

esse fluir na minha direção parou ou diminuiu.

Não mereço nada. Hoje reconheço

que sou o hóspede de quem os místicos falam.

Toco esta música para o meu Anfitrião.

Tudo hoje é para o Anfitrião.

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Seja a neve derretendo.

Lave-se de si mesmo.

Uma flor branca cresce no silêncio.

Que sua língua se torne essa flor.

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